segunda-feira, 26 de maio de 2008

Dhāraṇā


Lua cheia. Silêncio no ar. Na noite escura, apenas os deuses e deusas se destacam: Annapurna, sileciosamente nutrindo-nos; Ganesha, eternamente sentado em abhaya mudra1; Durga, perpetuamente abençoando-nos com seus oito braços.

Pelo caminho, árvores de todos os tipos arraigadas a seus pedaços de jardim. Algumas plantadas há mais de 30 anos. Meditam perseverantemente, sem importar-se com insetos ou mau tempo. Ainda hoje frutificam e alimentam. Árvores que conheceram as bênçãos de grandes seres.

São muitos os tipos de caminho: terra, grama, flores, pedra, cascalho, cimento ou mármore. Metáforas de que, apesar de plural, a estrada é uma só e leva ao mesmo lugar, por vias diferentes. Ensinamentos a cada passo: entalhados em paredes, em mármore, em pedras; escritos nos livros da biblioteca, afixados em murais. É impossível esquecer o mais elevado.

Tudo leva ao coração. Portões de ferro entreabertos revelam um jardim de mármore e mangueiras. Em pé, um ser da cor de Krishna
2, com olhar benevolente, encapuzado por uma gigantesca cobra, lembra-nos, apontando para cima, da grandiosidade do Absoluto. Sentado, um senhor de porte digno e nobre convoca o respeito e o amor interiores. Darshan3.

O caminho leva, por fim, a portas de madeira. Atrás delas, jaz o grande ser. Ao atravessá-las, o silêncio intensifica-se, e a lua parece que fica mais cheia e entra dentro de você. Entregue-se. Reverencie. Sente-se, feche os olhos. Respire. Deixe-se levar; não se segure.
So'ham4. Tudo está dentro de você.

Atha dhyanam
5.


A palavra “dhāranā” pode ser traduzida por “concetração” ou “foco”. É o primeiro passo da meditação, no qual aquilo em que a mente deverá concentrar-se é serenamente mantido na consciência, de maneira que auxilie a passagem para um estágio mais profundo de meditação.

1 - Um mudra é um gesto ritual ou simbólico, típico do Hinduísmo e do Budismo. O Abhaya mudrā ("mudrā do destemor”) representa proteção, paz, benevolência e, claro, destemor.

2 -
Em sânscrito, a palavra “krishna” literalmente significa “negro”, “escuro” ou “azul-escuro” e é comumente usada para descrever alguém de pele escura.

3 - Darshan é um termo em sânscrito que significa “ter a visão de”, aparição, vislumbre. É mais comumente usado no sentio de “vislumbres do divino”.

4 - So'ham = "eu sou Isso".

5 - Atha dhyanam significa "agora, meditação", em sânscrito.


7 comentários:

carlosfadul disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tatiana disse...

Ai q bonito!

Malu disse...

Suas palavras nos trazem paz e tranquilidade.
Concordo com a Tati: muito bonito!
Bjs

PS. O que é Atha dhyanam?

Alguma aldeota disse...

Coração,

"Tudo leva ao coração."

Om Namah Shivaya!

Tatiana disse...

Digo só uma coisa, depois que comprei minha camera, tiro fotos de lua melhor q vc! hhihihihii ve lá no meu blog...beijossss

Tatiana disse...

Será que estamos em condição de pedir alguma coisa? Será que vc poderia explorar mais fotos de sua pessoa, companheiros de trabalho e passeios de fim de semana?? Conte sobre restaurantes - comidas e bebidas... conte-nos sobre pessoas e o que vê diante disso! beijossss

Paulo Sergio disse...

Flávio,
Gostaria de estar em tua lista de conexão com esse blog.
Eu li sua nota de maio na qual copias a poesia da Cecília Meireles que fala de algum lugar na Índia chamado Puri. O que me chamou a atenção, foi o fato de que tomei conhecimento de que os primeiros habitantes encontrados na região de Nova Friburgo/RJ, eram duas tribos de índios chamados PURI e PURI Coroados.Faz parte de um relato histórico da criação do povoado original, cujo nome me esqueço (depois, olho o material e te comento sobre esse detalhe), de autoria de um pesquisador da história de Nova Friburgo.
Saudações Cariocas,
Fialho
OBS: Meu e-mail é => psfialho@hotmail.com