terça-feira, 1 de julho de 2008

O importante é que emoções eu vivi.


Rodovia em direção ao sul. Um sul não tão distante: Agra. Finalmente, decidi espantar minhas preguiças e meus medos e ir conhecer esse monumento que já vi tantas vezes em fotos, mas nunca ao vivo: o Taj Mahal.

Cinco e meia da manhã estou de pé. O carro que aluguei – o meu velho de guerra não agüentaria a estrada – estará na porta do hotel às 6h. Cereal com leite, croissant com queijo. Toca o telefone: o motorista chegou. Um nepalês radicado em Délhi chamado “Tapa”. Tudo a ver. Tive mesmo vontade de ensinar-lhe, ao vivo e a cores, o significado de seu nome em português, principalmente quando decidia falar hindi comigo, como se eu entedesse, e quando resolvia ajudar um ambulante desses de sinal a vender-me alguma goiaba. Mas, segurei-me. Tapa por tapa, esse pelo menos, conhecia o caminho...

À medida que a rua se tornava rodovia, Délhi sumia e transformava-se em campo. Na Índia rural (assim como na urbana), o século XI convive com o século XXI. Lado a lado, ao longo da estrada, fábricas coexistem com plantações de cereais, povoadas, todas as manhãs, por pessoas de cócoras, cagando tranqüilamente no mato. Bem, é aquela história: “Deus ajuda quem cedo madruga”, mesmo que madruguem para cagar no mato...

São três horas e meia de estrada e imagens pitorescas e escatológicas. Pelo menos, a viagem foi em tempo recorde. Em geral, leva umas cinco horas para chegar a Agra, mas Tapa estava endiabrado ao voltante.

Logo, o desarrumado cenário típico de uma cidade indiana abre-se à minha frente: cheguei a Agra. A tumba de Akbar, o terceiro e mais importante imperador Mughal, é o primeiro monumento que acolhe o visitante na cidade. Um típico exemplo da arquitetura Mughal, com pedras vermelhas e abóbadas arabescas. A tumba em si, no entanto, é bastante simples, com singelas paredes e teto de concreto. Digna de um imperador tào reverenciado por sua sabedoria e austeridade.

O Taj vem depois, meio afastado da cidade. O carro só chega a 2kms de distância do monumento, obrigando o turista a passar por uma espécie de “corredor polonês” de vendedores insistentes, de guias que te seguem mesmo que você já tenho dito que não quer um guia, de motoristas de rickshaw que cobram uma baba só para te levar daqui até ali.

Arrastando uma procissão de ambulantes de todos os tipos, o turista finalmente chega no lotado guichê de ingressos. Rs. 40 para indianos; Rs. 750 para estrangeiros. Ainda bem que minha carteirinha de diplomata permite-me pagar o preço dos indianos.

Passos depois, deparo-me com a vista mais deslumbrante que já presenciei. Apesar das muitas fotos, o Taj ao vivo deixa qualquer um boquiaberto. Enorme, todo branco, ladeado por duas mesquitas que, sozinhas, seriam monumentos impressionantes em si, mas que, diante daquela jóia de mármore, perdem todo o esplendor. Fotos, fotos, fotos.

Volto tranqüilo para o carro. Tapa, vamos embora. Levo minhas fotos de lembrança... Bem, talvez não. Sem querer, apaguei todas as fotos da máquina... Deslumbramento e decepção num mesmo dia. Emoções que qualquer viagem pela Índia sempre te dará.


7 comentários:

Alguma aldeota disse...

De fato, o importante é que emoções eu vivi.

Cesar disse...

Fotos apagadas? Só pode estar de sacanagem. Eu tava lendo o texto e imaginando qdo estivesse vendo tuas fotos!

Fica como dever de casa pro teu irmão: voltar a Agra e bater as fotos todas de novo. Só te libero da obrigação se deixar pra ir qdo eu for te visitar aí.

abração

Malu disse...

Ah, eu tb quero conhecer Taj Mahal!!
Bjs
Mãe

carlosfadul disse...

Que droga, sem fotos! Mas é isso ai, conhecendo e explorando todos os caminhos... assim a gente vai experimentando as sensações, deixadas aqui, por vc! abraços

Tatiana disse...

Ora pois, era pra sair com meu nome o último post, mas saiu com o do Dudu... subentende-se q sou eu! hehehe

maricouceiro disse...

Flavio!!
Estava sumida pq trabalhando bastante, mas hj recupero o atraso dos posts. Ao ler este aqui, lembrei da minha ida ao Taj em jan2007. A estrada de Delhi ate Agra (q por sinal era muito boa se comparada a Mangalore), a diferenca ridicula de preco para estrangeiro e os locais, ambulantes querendo te vender tudo. Mas apesar de td, ver o Taj nao teve preco. Realmente eh impressionante e nos deixa de queixo caido.
Nao se preocupe com as fotos, vc pode voltar! eu tenho algumas aqui se servir de consolo. e vc ainda vai ver sua prima de modelito indiana e com bindi na testa! :-)
Um beijo grande e se cuida ai!

Tia Thê disse...

Meu querido

Finalmente estou colocando em dia minhas crônicas favoritas!
Não se preocupe com as fotos. Tenho certeza de que você vai - e deve- voltar lá outras vezes!

Um beijão

tia Theresa