terça-feira, 23 de setembro de 2008

Arroz


Queridos leitores, antes de mais nada (ou antes de tudo, para os que preferem essa expressão), peço-lhes desculpas pelo longo silêncio. Não é que tenha desejado terminar o blog ou atualizá-lo com menos freqüência. Não é nada disso. Na verdade, chamem-me de doido os que nisso não acreditam, mas acho que foi algo kármico.

Sim, refletindo hoje à luz do sol da tarde, creio ter entrado em uma nova fase da minha estada na Índia. Já se vão seis meses desde que aqui cheguei, e a fase dos descobrimentos (ou era dos descobrimentos, para os que preferirem dar um tom ”Hobsbawm” à minha narrativa) já encerrou seu ciclo histórico.

Adentro agora calmamente, quase sem dar-me conta, em um novo momento, no qual a rotina passa a imprimir seu ritmo, a ditar minhas experiências. Uma rotina que é imperceptível, sutil; o próprio cotidiano da vida.

Por favor, meus caros leitores, não me compreendam mal: não é que a Índia tenha deixado de surpeender(-me); não é que coisas raras e estranhas não aconteçam mais. Pelo contrário! Acontecem sim, e com freqüência. Mas pode talvez ser que já me tenha acostumado a elas, e, por isso, já não me inspiram a escrever com a mesma intensidade do passado.

Demorei a ver e a aceitar isso. Tive de passar longos momentos entedientes e enervantes, sentado à frente da tela branca do computador, sem sequer conseguir compor uma frase decente. Só então dei-me conta de que o dia-a-dia se havia imposto sobre minha vida.

A comprovação final, curiosamente, veio hoje, enquanto escrevia este relato. Vejam vocês, queridos leitores, que hoje, em vez de sair para jantar no meu shopping, resolvi lançar-me à empreitada inédita (ao menos para mim é inédita) de fazer arroz em casa. Duas xícaras de arroz, meio tablete de caldo Knorr, quarto xícaras de água. Horas e horas de preparo (o fogão aqui em casa parece novo e maneiro, mas é uma porcaria). A água seca, e provo resultado. Mas me arrependo imediatamente. Realmente, ainda tenho muito o que aprender em matéria de cozinha.

Moral da história: quando o simples ato de preparar arroz vira novidade, é porque a era da rotina chegou.


5 comentários:

Alguma aldeota disse...

A era da rotina chega a todo tempo. Não há como fugir. O que há de se fazer é transformá-la a cada instante, ainda que com pequenas atitudes. São elas que dão o colorido da vida.

Quanto ao arroz, lamento muito.
Eu fiz a minha parte! rs!

Beijos
Saudade grande.

Cesar disse...

Pois é, rapaz, essa fase chega para todos. O curioso é que vc não precisava estar na Índia para viver tamaaaaaanha aventura!!!

Pergunto-lhe, em BSB nunca te aventurastes tanto??? Caso não, são novos horizontes, um mundo novo que se abre, certo?!

Melhor sorte na próxima panela de arroz!
abração!!!

renato disse...

oi Flávio
que bom que você voltou a escrever no site, que bom também que a era da rotina chegou... de agora em diante você não será mais um corpo estranho na India, e aí é que as coisas surpreendentes e duradouras talvez comecem a acontecer: a India vai entrar em você.

Tia Thê disse...

Flávio

Sua tia-mãe gêmea sentiu um pontinha de dor no coração ao ver vc debruçado na mesa, de terno, diante do computador, meio só, meio triste!

Que vontade de te dar um abraço e um beijo e de te oferecer, o quê,Meu Deus, um quiche de espinfre?!!.

Beijos e saudades
Tia Theresa

kitloja disse...

Ô Flavinho, cadê vc?? fico entrando e saindo do seu bloguinho e vc passeando com aquela dupla pela cidade , né??? escrever que é bom , nada.
Abração !!!