quinta-feira, 14 de abril de 2011

Jongueiro


Frio, sem sal, assim meio indiferente, quase apático, frígido até. Nuances de uma alma abatida. São muitas mudanças, um funfa-funfa incessante, um vai-e-vem que não pára, a bunda que não senta na cadeira. Não há mesmo espírito que acompanhe esse ritmo! O corpo segue adiante, a alma fica para trás. Perde-se no contínuo do tempo-espaço, sem saber mais onde está, o que passou, o que ficou, o que virá. Difícil caminho o do viajante, que precisa ter o coração forte para encarar a viagem.

- Divino louvado seja!

- É o rosário de Maria.

Ressoam ecos de uma religiosidade resgatada, em cujas pias batismais se depositam todas as esperanças. Quando todas as máscaras caem, sobra apenas o rosto nu. Mas haverá espelhos onde se olhar? Haverá olhos para ver a face crua? Deus dirá. E quando disser, só se ouvirá o silêncio de suas palavras...

E agora, viver para o quê? Pensar no futuro não leva a nada. O viver é hoje, e hoje apenas. Nada mais a acrescentar!

Oferendas de incenso e mirra sobre o altar dos sete ventos. Assopre para bem longe o véu que cobre a verdade, meu pai! Saravá! Revele-a sem tardar!

Faça a sua parte, viajante, que o resto Deus fará.

- Machado!

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