sábado, 16 de abril de 2011

Kali Maa

Pele azul, cabelos negros. Olhos que metem medo. Língua para fora, em fogo. Colar de caveiras sobre o peito. Sob seus pés, Shiva, senhor dos deuses, senhor do tempo. Há limite para o que és?

És a deusa em trevas. És a desconstrução da simbologia do mal. Se tudo em ti remete ao medo, ó deusa, por que então tantos ritos devocionais?

Enigma que instiga, deusa que inspira temor reverencial. Às favas com o que se crê! Serás a deusa daquilo que desejas ser. Que te importa se sangue, carne e escremento são vistos como impuros e imorais? Acolhe-os em sua divindade, torna-os sagrados, imortais.

Grito que urre da garganta. Som divino, produzido de forma espontânea. Som que amedontra. Grite, ó deusa, grite. Permita-nos escutar para sempre sua voz. Proteja-nos com sua força, ó deusa, proteja-nos com seu mirar.

Deusa, fique sempre comigo. Não me deixe desviar. O caminho é escuro, meus passos são lentos. Os medos são muitos, e os perigos, imensos. Deusa, ó deusa, cale os que me fazem voltar. Mantenha-me firme em minha rota. Não me permita nunca dela desviar.

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