segunda-feira, 9 de maio de 2011

Surto



Surto.
Aos poucos enlouqueço, esqueço, entrego-me e vou.
Fudeu.
O prazer imenso, o arrependimento, a culpa desmedida, a decaída e, no fim de tudo, o desprezo.
Por mim mesmo.
Respiro fundo, contemplo, olho-me no espelho, canto canções e recito sonetos.
Certifico-me de que ainda há alguém aqui dentro.
Toco-me, sinto-me, arrepio-me, assôo, pigarreio.
Pistas de que ainda resido onde devo.

O ciclo vai e volta, uma espiral que rodopia, rodopia.
Aonde vamos parar?
Eis a questão.

Não há sinais de trânsito a me guiar na estrada.
Todos os sentidos parecem obrigatórios e proibidos ao mesmo tempo.
Perdido no meio da encruzilhada, calor e vento a desnortear meus sentimentos, reduzo-me a uma saco plástico carregado pelo tempo.
Olho para todos os lados em busca de uma solução.
Em vão.

Para os fracos de espírito, só há um caminho: a resignação.

Alma em chamas



Quando todas as máscaras caem,
Quando não sobra absolutamente mais nada,
Quando se perde a razão para existir,
A vida parece que entra em pausa.

- Estátua!

Abre a porta, eu quero sair.
Quero sair, mas não posso.
Claustrofóbico, colapso.
Entrego-me aos ácaros do tapete da sala.
Seus nós górdios me entendem.

As respostas não vêm tão rápido quanto eu gostaria que viessem.
Preferem deixar as dúvidas ali, revirando no intestino.
Não há suco gástrico que chegue para digerir tanta coisa...
Quem diria: estou entregue, rendido.

- Mãos ao alto! Pare, senão atiro!

Reverências ao fogo que tudo queima.
Crepitam tuas chamas dentro de mim.
Dentro de mim, a escuridão permeia.
Escuridão profunda que não tem fim.

Chamas eternas, não cessem nunca!
Queimem meu peito adentro.
Até não sobrar nada,
nem as cinzas do que um dia eu fui.