segunda-feira, 9 de maio de 2011

Surto



Surto.
Aos poucos enlouqueço, esqueço, entrego-me e vou.
Fudeu.
O prazer imenso, o arrependimento, a culpa desmedida, a decaída e, no fim de tudo, o desprezo.
Por mim mesmo.
Respiro fundo, contemplo, olho-me no espelho, canto canções e recito sonetos.
Certifico-me de que ainda há alguém aqui dentro.
Toco-me, sinto-me, arrepio-me, assôo, pigarreio.
Pistas de que ainda resido onde devo.

O ciclo vai e volta, uma espiral que rodopia, rodopia.
Aonde vamos parar?
Eis a questão.

Não há sinais de trânsito a me guiar na estrada.
Todos os sentidos parecem obrigatórios e proibidos ao mesmo tempo.
Perdido no meio da encruzilhada, calor e vento a desnortear meus sentimentos, reduzo-me a uma saco plástico carregado pelo tempo.
Olho para todos os lados em busca de uma solução.
Em vão.

Para os fracos de espírito, só há um caminho: a resignação.

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