Quieto, calado, sentado no escuro, sozinho,
fantasmas do passado vêm me assombrar.
Memórias que não tenho, mas que não me deixam;
desejos reprimidos; frustrações de outros tempos.
Tudo ao mesmo tempo, agora, já.
O medo me toma, agito-me, mexo-me.
Saia de mim, Satanás.
Paro o que estou fazendo, fujo, saio correndo.
Lá vai o bicho carpinteiro...
Ali é que eu não vou ficar.
Comigo não tem meio, só fim e começo.
Quero tudo ao mesmo tempo, agora, já.
Já perdi a paciência, moleque.
Vamos logo, anda com isso, chega de esperar...
Autoritário, reprimo-me.
Não há lugar para calma no meu lar.
Só pressa, objetividade, a mais pura racionalidade!
Se é para fazer, faça tudo agora, já.
Os olhos escorregam com pressa sobre o papel
para dar cabo da leitura sem demorar.
Furacão de pensamento em minha mente.
Respiro fundo, vou afobar.
Logo vejo-me irrequieto.
É... acho que não vou agüentar.
Pausa então para o cafézinho
ou qualquer outra coisa.
Desde que me faça parar.
Procuro paz, mas desse jeito acho que nunca a vou encontrar...

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