segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Destruição


Lá, no escuro, o vazio.
Dentro do peito, a insatisfação.
Vamos, levante-se, sacie-se!
Mas meu esforço, em qualquer sentido, é em vão.

Vamos, meu irmão, não tema.
Não tenha medo não.
Encontre o que procura sem tempo.
Encontre tudo em seu coração.

Mas lá dentro, no escuro, há um vazio.
Um vácuo que não sei preencher não.
Tentei de tudo, eu juro.
Fiz até uma revolução.
Porém a bandeira que hasteei não se impõe sozinha.
Precisa de uma constante revolução.
Só que estou cansado, sem paciência, sem tempo!
Preciso de um descanso, de uma moleza.
Para mim já chega: esse jogo eu não jogo mais não.

A verdade, no entanto, é que velhos hábitos não morrem rápido.
Logo vejo que não tenho opção.
Cansado, machucado, imponho-me respeito.
Respiro fundo, renovo minha resolução.
Vamos, meu filho, à luta.
Marcha forçada numa só direção.

Mas meu esforço, em qualquer sentido, é em vão.
Mesmo as batalhas ganhas deixam, para trás, o gosto da insatisfação.
Desesperado, despenco.
Caio ao chão.
Talvez os nós górdios do tapete me entendam
    e me expliquem o porquê dessa situação.
Pois eu, confesso, não sei mais o que fazer não.

E nas entrelinhas dessa confissão,
um vento catatônico assopra para longe qualquer desentendimento.
Deixa-me ali só, olhar ao longe, perdido no tempo.
Querendo dormir, mas sem sono.
Querendo a paz, mas sem siêncio.
Querendo a virtude, mas permitindo-me apenas a companhia dos meus defeitos.

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