
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Roda mundo, roda gigante


terça-feira, 7 de julho de 2009
Ensaio sobre a preguiça

O dia começa devagar, assim meio mole, sem vontade de sair da cama. A luz ameaça extrapolar a cortina. Os bocejos sucedem-se. Os braços estiram-se. O corpo espreguiça-se. Mas é tudo em vão. Os olhos não abrem, o dia não começa, o sono continua. A escuridão e o silêncio que ainda envolvem o quarto mantêm a noite dentro.
Mas fazer o quê? É segunda-feira, e o dever chama. Onde encontrar forças para enfrentar mais um dia, mais uma semana? A mente vasculha o corpo, buscando o que o faça levantar da cama. Lá de dentro, do vazio, surge a força capaz de mudar o torpor: fome. O estômago ronca. Memórias do café da manhã vêm à mente: a lembrança do cheiro do café. Aos poucos, o corpo começa a reagir, os dedos se mexem, os ossos estalam. A pele se arrasta pelos lençóis. A boca abre: uuáááá! Vamos lá. Avante.
Passos hesitantes tomam distância da cama. Primeiro ao banheiro, fazer a toalete. Em seguida, ao armário. Cueca, meia, camisa, calça, gravata, paletó. Os óculos, meu Deus, os óculos? Pronto. Puta que o pariu.
Passos hesitantes, mas valentes lançam-se para fora de casa. Jornal na porta, elevador no saguão, carro lá embaixo. Respira fundo. Roca o motor. Acelera. Partiu.
Em meia hora, o caminho. No caminho, as notícias. Nas notícias, algum descanso. Mas pouco. Em meia hora, o destino. Olhos que ardem, à medida que os passos encontram seu destino: o escritório.
Casa branca, brasão dourado. Escadas. Segundo andar. A mesa está lá, desarrumada. Só de pensar em arrumar, dá preguiça. Preguiça que persegue durante todo o dia.
A manhã passa como o vento. Vem o almoço, o calor da hora do almoço. A comida que pesa no estômago. A mesma comida que levanta de manhã, nina depois do almoço. Volta-se ao torpor, à vontade de não fazer nada. Muitas vezes esse nada concretiza-se depois do almoço. Outras vezes batalhas épicas são travadas com esse nada para torná-lo tudo. Um tudo produtivo.

segunda-feira, 22 de junho de 2009
Só para postar alguma coisa...

Quilômetros de terra, de mar. Atravessando continentes, atravessando culturas. Turbulências, calmarias. Assim também a vida, o tempo, o espaço. Será que de fato viajamos? Ou será tudo um jogo? Um jogo da consciência? Só Deus sabe...
Fuso horário. O espaço para de correr, mas o tempo continua. A viagem, do ponto de vista do tempo, só termina uma semana depois. Curiosa essa desconjuntura, esse descolamento. Uma dessas viagens faz-se de avião, a outra, de cama, dormindo, sonhando.Acho que agora só metáforas. Cansei das análises antropológicas, sociológicas, morfosintáticas. Será, daqui por diante, uma análise “Mytzuplik”, que não se sustenta, caso se a vire do avesso.
Saudações!
segunda-feira, 2 de março de 2009
O início, o fim e o meio

O século muda a cada quilômetro da cidade. Ou talvez a cada 500 metros. Ruas planejadas e espaçosas dão lugar a caminhos tortuosos e apertados. A arquitetura grandiosa do poder é substituida por prédios baixos, cinzas, decadentes ou por grandiosos fortes de tijolo vermelho. Tudo acontece de repente. A cidade nunca te avisa quando vai mudar. Resta-nos apenas contemplar o contínuo do tempo e espaço sendo subvertido a cada esquina.C

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Mulheres em construção

É curiosa a situação da mulher na Índia. Transita entre extremos: liberdade e submissão. Paradoxo: mais um. Algumas trabalham, transam, transcendem. Modernidade. Outras, a maioria, são filhas, esposas, empregadas. Tradição. Não vale a pena julgar o que é melhor. São o que são, fazem o que fazem. Assim é. 
*Sati é um antigo costume da religião hindu, hoje em dia proibido por lei, que obrigava moralmente a viúva a sacrificar-se viva na fogueira da pira funerária de seu marido morto.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
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