terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Corra



Quieto, calado, sentado no escuro, sozinho,
fantasmas do passado vêm me assombrar.
Memórias que não tenho, mas que não me deixam;
desejos reprimidos; frustrações de outros tempos.
Tudo ao mesmo tempo, agora, já.

O medo me toma, agito-me, mexo-me.
Saia de mim, Satanás.
Paro o que estou fazendo, fujo, saio correndo.
Lá vai o bicho carpinteiro...
Ali é que eu não vou ficar.

Comigo não tem meio, só fim e começo.
Quero tudo ao mesmo tempo, agora, já.
Já perdi a paciência, moleque.
Vamos logo, anda com isso, chega de esperar...

Autoritário, reprimo-me.
Não há lugar para calma no meu lar.
Só pressa, objetividade, a mais pura racionalidade!
Se é para fazer, faça tudo agora, já.

Os olhos escorregam com pressa sobre o papel
  para dar cabo da leitura sem demorar.
Furacão de pensamento em minha mente.
Respiro fundo, vou afobar.
Logo vejo-me irrequieto.
É... acho que não vou agüentar.

Pausa então para o cafézinho
ou qualquer outra coisa.
Desde que me faça parar.

Procuro paz, mas desse jeito acho que nunca a vou encontrar...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Destruição


Lá, no escuro, o vazio.
Dentro do peito, a insatisfação.
Vamos, levante-se, sacie-se!
Mas meu esforço, em qualquer sentido, é em vão.

Vamos, meu irmão, não tema.
Não tenha medo não.
Encontre o que procura sem tempo.
Encontre tudo em seu coração.

Mas lá dentro, no escuro, há um vazio.
Um vácuo que não sei preencher não.
Tentei de tudo, eu juro.
Fiz até uma revolução.
Porém a bandeira que hasteei não se impõe sozinha.
Precisa de uma constante revolução.
Só que estou cansado, sem paciência, sem tempo!
Preciso de um descanso, de uma moleza.
Para mim já chega: esse jogo eu não jogo mais não.

A verdade, no entanto, é que velhos hábitos não morrem rápido.
Logo vejo que não tenho opção.
Cansado, machucado, imponho-me respeito.
Respiro fundo, renovo minha resolução.
Vamos, meu filho, à luta.
Marcha forçada numa só direção.

Mas meu esforço, em qualquer sentido, é em vão.
Mesmo as batalhas ganhas deixam, para trás, o gosto da insatisfação.
Desesperado, despenco.
Caio ao chão.
Talvez os nós górdios do tapete me entendam
    e me expliquem o porquê dessa situação.
Pois eu, confesso, não sei mais o que fazer não.

E nas entrelinhas dessa confissão,
um vento catatônico assopra para longe qualquer desentendimento.
Deixa-me ali só, olhar ao longe, perdido no tempo.
Querendo dormir, mas sem sono.
Querendo a paz, mas sem siêncio.
Querendo a virtude, mas permitindo-me apenas a companhia dos meus defeitos.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Conflito




Não. 
Não quero.
Sincero. 

Não.
Já chega.
Me esqueça.

Quero a vida.
Não a morte.
Quero a verdade.
Não amole.

Chega de fingir.
A verdade sempre aparece.
Para que, então, me esconder?
Venha, verdade, me leve!
Me tome por inteiro, me dispa por completo;
faça-me seu para sempre, faça o serviço completo.

Pronto, toma, leva.
Não dá mesmo para fingir que não te vejo.
Mas, hipócrita, relevo. Ou melhor, tento.
Em vão, digo não. Para quê? Para nada.
Meus esforços são vazios.
Meus esforços não valem nada.

Creio-me hipócrita, vejo-me sem força ao peito.
Deito estirado, sem ânimo, na cama, meio sem jeito. 
Pronto, já era, perdi outra batalha e talvez mesmo a guerra! 
Fui subjugado por essa contradição, que domina, que impera:
fingir que nada acontece ou reconhecer, sem culpa, a merda ?

Desconcentro-me, e a decisão surge sozinha.
Entrego-me ao corolário não quisto.
E me despido, mais uma vez, da minha vida.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Respostas



O que fazer com as pequenas coisas da vida?
Jogá-las fora talvez, ou guardá-las para sempre quem sabe.

O que fazer com as coisas grandes da vida?
Digerí-las talvez, ou escondê-las para sempre quem sabe (sobretudo se dão vergonha).

O que fazer com o coração?
Derretê-lo como manteiga talvez, ou quem sabe endurecê-lo como pedra.

Não há respostas simples nesta vida.
Pena.

Direto do Facebook



Tô me sentindo meio assim hoje. Hehehe.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Winter Blues...



A solidão vaga entre as dúvidas como se não houvesse vias vicinais. O caminho está engarrafado com minhas próprias ações e palavras. Haverá luz no fim do túnel? Só a deusa sabe...

Desperta, caminha, não fala, submeta-se. Obedeça! Não há mais nada a fazer. As dúvidas corroem, entretanto, o poder do comando, e as palavras fogem selvagens, como pensamentos soltos inadvertidamente no ar. Não consigo mantê-las guardadas secretamente em meu peito. Cuspo-as, escarro-as, expulso-as com a mesma energia de uma criança que grita e esperneia porque não consegue o que quer, na hora em que quer.

O desabafo carrega consigo o arrependimento. Suspiro enquanto contemplo o infinito. Por que, meu pai, faço tanta questão de falhar? Não há resposta... Ou talvez a resposta seja a culpa, que me recorda que não tenho outra opção, a não ser a de aceitar o destino que criei para mim. Somos nós mesmos, por fim, os carpinteiros que esculpem, na madeira da vida, o caixão onde descansaremos.

A lembrança do fim evoca o começo. Devolve memórias esquecidas de uma inocência perdida, desfeita a cada ano que passa por ilusões e miragens de promessas não cumpridas. Aprende-se a viver num mundo paralelo, onde as ações não têm resultados imediatos, onde tudo tem graça e termina bem. Mas o mundo real não tarda em provar o contrário. É aí, finalmente, que a solidão vem. Ela chega pequena, assim como quem não quer nada, até que ocupa toda sua vida e não deixa que sobre mais nada.

Haja mantra para espantar os maus agouros...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Surto



Surto.
Aos poucos enlouqueço, esqueço, entrego-me e vou.
Fudeu.
O prazer imenso, o arrependimento, a culpa desmedida, a decaída e, no fim de tudo, o desprezo.
Por mim mesmo.
Respiro fundo, contemplo, olho-me no espelho, canto canções e recito sonetos.
Certifico-me de que ainda há alguém aqui dentro.
Toco-me, sinto-me, arrepio-me, assôo, pigarreio.
Pistas de que ainda resido onde devo.

O ciclo vai e volta, uma espiral que rodopia, rodopia.
Aonde vamos parar?
Eis a questão.

Não há sinais de trânsito a me guiar na estrada.
Todos os sentidos parecem obrigatórios e proibidos ao mesmo tempo.
Perdido no meio da encruzilhada, calor e vento a desnortear meus sentimentos, reduzo-me a uma saco plástico carregado pelo tempo.
Olho para todos os lados em busca de uma solução.
Em vão.

Para os fracos de espírito, só há um caminho: a resignação.